
A Saneago está investindo em pesquisa para desenvolvimento de um fertilizante baseado no lodo das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), subproduto do processo de tratamento do esgotamento sanitário. A pesquisa é realizada em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG).
A pesquisa visa desenvolver um fertilizante de origem biológica, com a utilização de materiais minerais, conhecidos como remineralizadores. A iniciativa aproveita o lodo das ETEs da Saneago, rico em nitrogênio (N), e verificar a viabilidade de um processo que una os remineralizadores, que são ricos em fósforo (P) e potássio (K), gerando um novo produto rico na tríade NPK, essencial para a nutrição vegetal.
A expectativa é gerar mais de 5 mil toneladas por mês de fertilizante, a partir das 160 toneladas diárias de lodo produzido na ETE Hélio Seixo de Brito, em Goiânia. Na última sexta-feira (30), ocorreu a primeira reunião de alinhamento do projeto, realizada na Fundação de Apoio à Pesquisa (Funape) da UFG.
Inovação
Durante a reunião, o diretor Comercial da Saneago, Hugo Goldfeld, celebrou: “é um projeto de Estado, que reflete em soberania e independência do País em relação aos fertilizantes importados. A Saneago tem expertise no saneamento, junto com a Embrapa, líder em pesquisas agrícolas, e a UFG, com suas pesquisas de agrominerais.
Para o gerente de Novos Negócios da Saneago, Álvaro Gusmão, o projeto do fertilizante é um avanço em várias frentes. “É uma questão nacional. Hoje, dependemos de muitas importações de fertilizantes e o projeto objetiva também reduzir essa dependência. Além do fator inovação, trabalhamos no conceito de economia circular e de negócios de impacto, transformando um custo atual em fonte de receita, reduzindo a geração de resíduos, baixando o custo de produção de alimentos e beneficiando toda a população”, completou o gestor de Novos Negócios.
Retribuição
Na visão do diretor da Faculdade de Ciências e Tecnologias, Tiago Almeida, projetos de integração entre instituições públicas devem gerar um produto ou serviço de uso positivo para a sociedade: “é gratificante para a UFG participar desse projeto que vai reduzir a dependência nacional dos fertilizantes importados e promover a integração entre os parceiros no desenvolvimento de rotas tecnológicas dos fertilizantes aproveitando os lodos de ETE”, explicou o professor.
O pesquisador da Embrapa Cerrados, Eder de Souza Martins, frisou contentamento em ser convidado para o projeto. "é uma iniciativa de economia circular, transformando problemas regionais, como os resíduos de ETEs e da mineração, em soluções regionais, ao virarem fertilizantes”.
Para o pesquisador, o projeto também soluciona a questão logística, devido à atuação da Saneago em 223 municípios goianos. “Ao produzir fertilizante nas áreas próximas às ETEs, o custo para o produtor de alimentos diminui e as estações de tratamento transformam-se em pontos de distribuição de insumos agrícolas, espalhados pelo estado”, finalizou.
Em casa
A pesquisa terá duração inicial de três anos e conta com a instalação do chamado LabMOBN, na ETE Hélio Seixo de Brito, em Goiânia. Além disso, serão feitas análises nos laboratórios da Saneago, da UFG e da Embrapa.
A iniciativa nasce de uma pesquisa bem-sucedida realizada na Saneago. O projeto Biossólido é o ponto de partida científico para o projeto do fertilizante, com os resultados das aplicações já feitas tendo gerado dados e potencial para o desenvolvimento de um produto inovador e acessível para a produção goiana de alimentos.
