Apesar de ter cerca de 12% da água doce do mundo, o Brasil enfrenta problemas em relação à disponibilidade. Conforme aponta o relatório GEO Brasil Recursos Hídricos, há uma enorme discrepância em relação à distribuição geográfica e populacional da água no país: a região amazônica abriga sozinha 74% da disponibilidade de água, mas é habitada por menos de 5% dos brasileiros.
Além disso, o Brasil convive com outro aspecto que colabora para o quadro de escassez em algumas localidades. Fora a poluição dos rios e nascentes, merece destaque a deficiência nos sistemas de coleta de esgotos. Hoje, 54% dos domicílios brasileiros contam com esse serviço.
Há também a questão do desperdício. De acordo com dados da ANA, dos 840 mil litros de água consumidos no Brasil a cada segundo, 69% são destinados à agricultura. Tanto o uso urbano como o uso com animais demanda, cada um, 11% da água brasileira. O consumo industrial (7%) e o rural (2%) completam o quadro. Todos estes consumidores tendem a usar a água de modo abusivo, por motivos que vão desde problemas na irrigação até o abuso no consumo doméstico. Somente o reaproveitamento da chamada “água cinzenta” – resultante das lavagens e banho – para a descarga de latrinas resultaria numa economia de um terço de todo o consumo doméstico, por exemplo.
Mas o Brasil também tem virtudes na área de recursos hídricos. Conforme estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância – Unicef e da Organização Mundial de Saúde – OMS, entre 76 e 90% dos habitantes do país têm acesso a fontes de água potável, cenário somente menos favorável que o da maioria dos países desenvolvidos.
[Fonte: ANA - 21/03/2007]